sexta-feira, 21 de março de 2008

Mídia e Política

Circulam pela internet duas mensagens interessantes sobre as relações entre Mídia e Política, que nos informam muito mais sobre o assunto do que as sulfurosas planilhas de centimetragem e "valência" utilizadas pelos politógos desta e de outras plagas para mensurar o imensurável, ou seja, o viés (ou ausência de) ideológico que determinados órgãos da imprensa possuem por este ou aquele candidato, este ou aquele político.

O primeiro destes "posts" é um trecho de uma entrevista do atual governador do Paraná, Roberto Requião, acusando a mídia de tratar de maneira desigual dois notórios políticos "puladores de cerca" que tiveram filhos fora do casamento, coincidentemente em decorrência de relacionamento fugazes com jornalistas. Um destes políticos, cujo "case" fora do casamento foi amplamente divulgado pela mídia, é o ex-presidente do Senado (renunciou ao cargo, para quem não se lembra) e atual senador [ aqui com seu novo relacionamento], Renan Calheiros, portador de sobrenome de ilustre tradição na família alagoana. O segundo deles, o eterno dândi da burguesia "associada" brasileira, ex-"terrorista" (pelos critérios de Mme. Rice e Olavo de Carvalho) e presidente da República, FHC, também companheiro de Renan em alguns infortúnios conjugais.

Pois bem. Esses eventos aparentemente sem importância, terminam adquirindo um significado político na medida em que, durante os oito anos do mandato FHC, a mídia silenciou ampla e coordenadamente sobre o assunto, enquanto que no segundo caso, com o perdão do pleonasmo, a musa denunciante teve direito até à entrevista coletiva no programa de uma expert no assunto, Srta. Hebe Camargo, a quem não se pode acusar de ser lacerdista. Essa assimetria no tratamento entre os dois acontecimentos é o mote da entrevista do governador Roberto Requião (assista aqui). Cabe ao leitor eventual julgar e opinar sobre a validade dos argumentos do governador paranaense.

Outro episódio que merece meditação e leitura atenta é a desconstrução da revista "Veja" efetuada por Luís Nassif em seu blog: http://luis.nassif.googlepages.com/ Ao longo dos sucessivos episódios da série, Nassif fornece importantes informações sobre a história da linha editorial de Veja e sobre o perfil de alguns de seus colaboradores. Recomenda-se ler o material junto com "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", de Lima Barreto. Estranhamente, a revista Veja não se defendeu das acusações, apenas moveu um processo destemperado contra o jornalista. Como o direito de defesa é uma instituição sagrada no Estado de Direito (novo perdão do pleonasmo) abrimos este espaço para aqueles que quiserem defender a revista e seus colaboradores das acusações de Nassif.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mais uma do porão teatralesco

Ontem na Comissão de Educação atores globais e diretores de teatro pospuseram a criação de uma pasta específica para a captação de recursos para o "setor" (cfe. matéria na FSP de 19mar08, clique aqui para ver).

Até onde vai o meu raso conhecimento o teatro não é uma atividade, nem um assunto estratégico que mereça uma secretaria especial (e com caráter de ministério). Para lém disso os artistas já são presenteados com a Lei Rouanet (mote de artigo neste mesmo blog em 02ago2007) e pelo dinheiro -suado e miado - de quem paga uma alta quantia para assistir ás peças teatrais.

Em Curitiba começa hoje o "Festival de Curitiba" - não mais de "teatro", pois contempla outros espetáculos como circo e dança - patrocinado por empresas privadas e dinheiro público, qual seja, meu dinehiro também está lá. Serão 10 dias de encenações e apresentações que vão de peças infantis á comédias adultas. Cada ingresso custa em média 20 reais, meia para estudantes e alguns benefícios para clientes do banco que patrocina a peça. Se eu apresentar meu carnê de IPTU eu ganho desconto na entrada? Visto que sou trabalhador e não mais estudante?

Não é só a classe política que tem suas atividades desvinculadas ás atividades ordinárias dos cidadãos. A classe artística apresenta o mesmo comportamento. Porpõe para si e em si benefícios que estão distanciados diametralmente aos benefícios que outras classes muito mais importantes desfrutam. E para completar, estão pleiteando uma atividade estritamente política e estratégica a seu favor.

De novo os atores, atrizes, diretores e todo o resto envolvido nisso usa dinheiro público, fatura com os espetáculos e os únicos que assistem ás encenações são os ricos. Poucos são os programas que levam este lado da cultura para os lugares mais pobres, e, além do mais, pobre está mais preocupado em comer e vestir do que ver a Letícia Sabatella num monólogo sobre a reflexividade do ser humano diante dos grilhões infâmes da sociedade burguesa.

terça-feira, 18 de março de 2008

O Véu da Noiva

Em artigo para o site jurídico Última Instância, o articulista Josué Maranhão aponta para a possível fusão, quase que impensável do Partido dos Trabalhadores e do Partido da Social Democracia Brasiliera, casamento esse que pode ser sacramentado nas eleições de 2010.

No meu ver, assim não parece ser o caminho que será tomado no pleito federal. O PT está pendendo muito mais para o lado de uma aliança com o PMDB. Dentro do partido, Jacques Wagner e Dilma Rouseff estão sendo os nomes cogitados e fora dele, o nome de Ciro Gomes vem tomando corpo. Só que uma aliança com Aécio Neves não significa, necessariamente uma fusão entre os dois partidos. O mais provável seria a migração de Aécio Neves para o PMDB, com o apoio de um vice petista, em razão do abandono de bandeiras extremadas. O PSDB está satisfeito com o desempenho de seus pré-candidatos, notadamente, José Serra.

Contudo, ainda que assim fosse, o maior obstáculo à malfadada idéia do articulista é a concepção de Estado de cada partido encerra. Quando observamos os 8 anos de governo de FHC, resta clara a concepção de Estado Mínimo. O PSDB defende a redução do Estado para tratar apenas de determinados assuntos, e isso ficou claro com as privatizações do sistema de Telefonia e da Vale do Rio Doce. Deixou de lado, questões como redução das desigualdades sociais, fome, só para ficar nesses exemplos.

Já o PT, para além do Estado mínimo na economia agiu de forma a intervencionista, criando ou aperfeioçoando uma série de programas federais de reinserção da população mais carente (PROUNI, FIES, implantação de novas Universidades e CEFETs, unificação dos programas sociais no Bolsa Família).

As representações do Leviatã para cada um desses partidos são diferentes: Estado Mínino x Estado "Social". Por conseguinte, os nubentes, no final das contas, acabarão por discordar das esponsais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Partidos afinados, eleitores nem tanto

Na Folha de São Paulo de hoje duas matérias aparentemente não complementares chamam a atenção. A primeira sobre o afastamento dos eleitores frente aos partidos e a aproximação dos primeiros com as "bandeiras", em seguida palavra do ex-presidente tucano FHC clamando a união do PSDB.

Duas interpretações sobre tais matérias vislumbro no momento. Uma de acordo com a queda da popularidade do PT (mesmo com a manutenção da popularidade de Lula) e a desmistificação do Partido dos Trabalhadores, leva-nos a entender que o eleitor está ainda mais confuso quanto ás posições ideológicas de cada partido no Brasil. A segunda interpretação é que as elites políticas estão agindo de acordo com um cálculo estratégico, ou seja, estão tentano puxar mais "brasa pra sua sardinha".

Como isso se explica? De duas formas: o PT além de pulverizar sua inserção no território nacional, perdeu um pouco a característica de partido de esquerda e de setores notoriamente conhecidos (funcionalismo público, professorado, estudantes, trabalhadores urbanos). Assim o partido deixou de abocanhar grande parcela da identificação com o eleitor. Segundo que os partidos começam a notar que o eleitor fiel pode ser uma grande ferramenta, num momento de altos custos (monetários) de campanha e franca escassez de líderes políticos.
O que quero dizer é que a sustentação de um eleitor partidário e menos personalista traz maiores ganhos á longo prazo para os partidos. E, somente num momento de crise de renovação política, é que os quadros partidários resolveram partir para tal estratégia.

A política não é inocente e não acontece ao acaso (mesmo reconhecendo que a divina providência faça parte da arte da política). Os arranjos sugeridos e bradados no momento são resultado de uma conjuntura política que "precisa" de um novo modo de ação. Assim o PT deposita suas forças nas prévias regionais, o PSDB sugere a união e a criação de prévias e, até mesmo o fragmentado histórico PMDB prima pela coesão e pela união.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Quem planta, colhe

Novo decreto regulamenta prerrogativas dos ex-presidentes

Por Sérgio Soares Braga

Surfando na sua popularidade causada pelos altos índices de crescimento do capitalismo brasileiro, pelo eficiente gerenciamento da coalizão de governo e do PAC pela ministra Dilma (muito mais competente que o antipático Zé Dirceu e 40 seus companheiros), e pela inoperância da oposição conservadora em apresentar uma alternativa real de governo, o presidente Lula encontrou uma maneira elegante de desmentir que irá concorrer a um terceiro mandato, como andaram espalhando por aí alguns jornalistas de alcova: expediu um decreto regulamentando algumas mordomias aos ex-presidentes da República, tais como o direito "a quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal (sic); dois veículos oficiais com respectivos motoristas e assessoramento de dois DAS". [clique aqui para ler o decreto]. O decreto regulamenta outro, anteriormente baixado pelo governo Itamar Franco, e não explica nem justifica em seu texto a indispensabilidade de tais mordomias, financiadas com dinheiro do Estado, aos ex-ocupantes da curul presidencial. O decreto passou em brancas nuvens na imprensa e na própria oposição, evidenciando que tais privilégios absurdos já foram naturalizados como "direitos" por importantes segmentos da opinião que se publica.

Positivamente, a oposição conservadora está colhendo os frutos do que plantou. Alardeando por longos anos que Lula traria o "caos" e a crise do capitalismo brasileiro por seu suposto "socialismo", "despreparo" e "falta de escolaridade", é obrigada a testemunhar inerme os altos índices de aprovação do presidente que surfa aparentemente incólume aos ruídos das acusações de tucanos & DEMOS. O que significa que Lula será uma figura importante e influente no próximo pleito presidencial, e não um novo FHC ou um novo Figueiredo.


Sérgio Soares Braga é professor de ciência política da UFPR.

terça-feira, 11 de março de 2008

Eleições 2010 - Partido Republicano Paulista e Partido Republicano Mineiro

As eleições de 2010 já está ganhando os primeiros entornos. Os partidos com maior representatividade no Congresso (PMDB, PT e PSDB) começam a pensar em possíveis candidatos e estratégias para o pleito nacional.

O PSDB, é o partido com mais presidenciáveis: Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. José Serra, atual governador de São Paulo, que detém uma parcela considerável dos filiados, está em grande vantagem entre os concorrentes e com reais possibilidades de ser eleito. Aécio Neves, isolado dentro de seu partido, com apoio apenas de Tasso Jereissati, está tentado uma aliança quase que impossível de ser pensada no plano federal: aliar-se ao Partido dos Trabalhadores, mostrando seu apoio ao canditado petista para a municipalidade de Belo Horizonte. Para ele, ex-emedebista, estaria vislumbrando a volta ao poder no PMDB. Geraldo Alckmin, quase que sem chance, aguarda cair em seu colo o Governo de São Paulo.

O Partido dos Trabalhadores, apresenta dois candidatos prováveis: Jacques Wagner e Dilma Rousseff, ambos insossos, e quase sem chance de ganhar o pleito. A chance do governo, conforme dizem algumas correntes, seria uma aliança. Uma aliança com Aécio Neves dentro do PMDB.

O PMDB por suas características internas, sempre buscando uma unificação mitológica de tempos passados, tem o nome do Ministro da Defesa Nelson Jobim. Contudo, o principal flerte e principal chance do manda brasa é Aécio Neves. O nome do presidente "pé de valsa" mineiro II é o mais viável para o partido, independente de uma possível coligação com o PT.

Vale observar atentamente a movimentação no PSBD paulista e mineiro e PMDB nacional para traçar possíveis cenários presidenciais. Ainda vivemos sob a política do café com leite. Será que a diferença reside nos partidos?