quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Republicanos e Democratas: o liberalismo prossegue.

As postagens aqui neste blog sobre as eleições americanas foram um pequeno avanço no que o jornalismo brasileiro fez. O colega Luiz Domingos lembrou bem nosso querido apresentador do Jornal da Globo, que, de fato, cumpriu o papel de sala de visita de Roberto Marinho, quando o assunto é política.

Todos os jornais, revistas, noticiários e pseudo-intelectuais vangloriaram Obama. Seja por ser negro, seja por ter origem muçulmana (apesar de o próprio não o ser) ou seja pelo Yes We Can!, o mundo deu apoio ao democrata estadunidense. João Quartim lembrou bem que a coisa não é bem assim. Outrossim, não temos tantos motivos quanto pensamos para comemorar. Desde o embargo ao etanol brasileiro até a página da história virada com a eleição de um negro para a Casa Branca, parece que os brasileiros de todas as classes esquecem a essência da política.

Não vou ficar digredindo sobre a cena política, mas basta saber dois pontos para que repensemos a eleição de Obama como a salvação do mundo.

O primeiro refere-se exatamente à percepção que se criou sobre um negro na presidência norte-americana. Por mais que Obama seja negro e se orgulhe disso, ele estudou ciência política na Universidade de Columbia e depois graduou-se em direito na Universidade de Harvard. Além disso foi o primeiro presidente negro da Harvard Law Review . Ou seja, mesmo atuando nos movimentos civis na década de 90, Obama não teve assim uma vida muito precária. Ele faz parte de uma nova classe média americana, com pais altamente intelectualizados (mãe doutora em antropologia e pai economista) e frenquentador das melhores universidades do mundo, o que denota uma diferença grande entre o cidadão médio americano e Barack Obama.

O segundo ponto é o discurso sustentado por toda a campanha democrata. Change, we can belive e Yes We Can!, marcam um acento liberal, focado no self-made-man. O liberalismo americano tem tomado conta da ideologia globalizada faz tempo, mas a caracterização do homem que vence na vida por conta de um sonho, com certeza não se aplica a mais da metade do planeta. Para isso não precisamos ir muito longe, basta pensar no continente africano como um todo. Não é a falta de vontade ou a malemolência individual, os problemas são estruturais. E parece que, nesse ponto, democratas e republicanos não diferem tanto assim. O mais realista coloca os dois partidos como apaixonados pelos EUA e não tão afáveis assim com o resto do mundo - apesar das diferenças políticas entre os dois.

Update:

Secretário de Defesa de Bush deve continuar no cargo

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u465118.shtml

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama wins

Os portais de internet informam que John McCain admite derrota e parabeniza Barak Obama. O Jornal da Globo dá um “plantão” informando o mesmo. Willian Waak ‘analisa’ o clamor popular nas ruas: o povo já está comemorando um momento histórico. De fato, trata-se de algo com um significado muito importante para o mundo inteiro: um negro eleito (com sobrenome e parentesco muçulmanos) presidente dos EUA é algo importante. Aliás, quem conhece os americanos de perto dizem que a escolha é mesmo assustadora, do ponto de vista da ruptura com os estigmas de ‘homem’, ‘branco’, ‘nascido em berço de ouro’, etc.


Agora irá começar a festa da imprensa. Jornalistas farão matérias empolgantes sobre a “caminhada” de Obama rumo à Casa Branca. Cientistas Políticos especularão sobre a relação com o Congresso e sobre a formação do ministério. Economistas preverão o final do mundo e o seu recomeço sob a tutela do democrata, estilistas observarão a roupa da nova primeira-dama, Michelle Obama... Haja paciência.


E é bom ter calma, pois, como disse Arnaldo Jabor (em rara demonstração de lucidez), os democratas são “meio vacilões”. Antes que o clamor acabe, vale a pena ler um texto menos emocionado sobre a disputa que se encerra:


Big Smile and Big Stick

Por João Quartim de Moraes

“Nem todos os sorrisos, nem todos os porretes, nem todos os políticos são iguais [...] Seria Barak Obama muito diferente? Uma larga experiência histórica mostra que preferir um candidato só porque ele é do partido democrata pode ter algum sentido no que concerne a certos temas sociais e culturais no interior dos Estados Unidos, mas não em relação às questões que afetam toda a humanidade: a guerra, a voracidade dos trustes, a hegemonia do dólar, o “fascismo exterior” etc.

Donde a dúvida: que conteúdo objetivo Obama pretende conferir, no trato dessas questões decisivas, à palavra “mudar”, chave de sua campanha?”


Texto completo aqui.

Você gostaria de votar na eleição norte-americana?



A idéia dos cidadãos de diversos países participarem da eleição presidencial norte-americana ganhou força nas últimas semanas. Em parte, graças a política (militar, comercial, ambiental) dos EUA ser a mais influente globo afora em geral. Em parte, graças à forte rejeição associada ao governo G.W. Bush e o ‘caso’ Iraque. Em parte, ainda, pela popularidade conquistada por Barak Obama.

É uma idéia controversa. Embora achemos que os EUA sejam o grande responsável por muitas coisas que ocorrem em nosso quintal e no quintal dos vizinhos, não é algo assim lógico e simples ampliar a eleição de um território para todos os seus ‘beneficiários’ diretos e indiretos. Afinal, você concorda que os paraguaios participem da eleição presidencial brasileira? E quanto aos bolivianos? Você gostaria de participar da eleição para o governo de São Paulo? Imaginem um governador de São Paulo sendo eleito com o voto dos estados que São Paulo influencia! Ele terá uma legitimidade dos estados com os quais São Paulo concorre na política fiscal! Então, imaginem Barak Obama sendo eleito com o voto dos palestinos. Ele poderá deitar e rolar por lá ainda mais, pois terá não apenas dinheiro e armas, terá também a legitimidade do voto. E não desconsiderem o poder simbólico desta frase!

Não é idéia fácil. Mas uma espécie de enquete com os internautas está sendo feita por uns islandeses. Para participar, clique aqui.

Viu os resultados? Obama é mais popular no mundo do que o Beto Richa em Curitiba. E você pensando que o Richa era o imbatível do ano...

sábado, 1 de novembro de 2008

Transição política e consolidação democrática no Brasil: novas reflexões sobre um velho tema

por
Vania Sandeleia Vaz da Silva


resenha de
CODATO, Adriano Nervo (ed.). 2006. Political Transition and Democratic Consolidation : Studies on Contemporary Brazil. New York : Nova Science.

Rev. Sociol. Polit., Curitiba, n. 29, 2007.

Os processos de transição política e consolidação democrática no Brasil podem ser considerados um excelente laboratório de Ciência Política, tanto pela longa duração, como pela variedade dos eventos que marcam tal período da história brasileira recente. Vencida a cláusula de alternância no poder – estamos no segundo mandato de um torneiro mecânico de profissão, ex-sindicalista, participante das lutas da sociedade civil pela (re)democratização do país, ou seja, definitivamente alguém que não pertence à elite tradicional do país –, pode-se dizer que a democracia brasileira está consolidada. Mas o que isso significa? O passado autoritário ou ditatorial terá sido extirpado? Quais suas heranças? Qual a influência do passado no que vemos (e vivemos) atualmente, do ponto de vista político? Como compreender a mudança (ou será transformação)? Valerá o esforço de debruçar-se novamente sobre isso? O tema é instigante porque desperta o interesse em, pelo menos, duas dimensões: do ponto de vista teórico ou acadêmico, pois, embora muito já tenha sido descoberto, escrito e revisado, ainda existem aspectos não abordados ou não esgotados; e também pelo fato de dizer respeito a todos nós, brasileiros, e, num mundo cada vez mais interdependente, aos cidadãos de qualquer nacionalidade que consideram a democracia melhor do que formas mais autoritárias ou menos participativas de governar. Mas será esse o caso do Brasil?

[para ler a resenha completa, clique no link]

sábado, 11 de outubro de 2008

Capital político e transferência de votos

Folha de Londrina
10 out. 2008

Adriano Codato

Análises eleitorais correm sempre o risco de dizer o óbvio. Quem ganhou, quem perdeu, quem fez mais votos, quem fez menos, quantas prefeituras novas foram conquistadas por partido, etc. Para evitar uma paráfrase da realidade, é preciso pensar menos conjunturalmente. Se a disposição de forças políticas que sairá daqui pode (enfatizo: pode) influenciar as eleições nacionais em 2010, 2008 precisa, por sua vez, ser entendido na devida perspectiva. Para ficarmos em um só aspecto que essas disputas revelaram, tomo aqui a questão da capacidade de transferência de prestígio e capital político de um político a outro - a partir do caso de Curitiba.

De fato, Lula não influenciou as decisões dos eleitores como alguns imaginavam (ou apostavam) porque, efetivamente, seu prestígio, popularidade e aceitação junto ao eleitorado é mais pessoal (ou exclusivamente pessoal) do que institucional. Poucos identificam o governo federal como ‘‘o governo do PT’’ - o que, de resto, é bastante correto. Basta pensarmos não na composição das equipes políticas, o que é evidente, já que se trata de um governo de coalizão entre muitas forças, mas nas plataformas históricas do partido, prudentemente aposentadas em nome do realismo e da lógica eleitoral. Esse processo de derretimento do PT e de sua mística, que começou em 2002, só tende a se radicalizar. Nesse contexto em que parece não haver mais, tanto quanto antes, uma assimilação imediata de Lula ao PT, a maioria dos concorrentes tem de contar com a própria sorte; quando muito, com a máquina do partido, onde ela existe.

A capacidade de influência de Lula sobre o voto do cidadão médio foi barrada também pela municipalização das campanhas. Esse é um aspecto interessante, em geral apresentado sob o chavão do ‘‘amadurecimento da democracia brasileira’’. O que ocorre? Não só as eleições vão ficando rotineiras (o que aposenta outra imagem tola: a da ‘‘festa da democracia’’), mas o eleitor vai ficando cada vez mais pragmático (ou ‘‘racional’’, como queiram). Não se trata agora, como nos anos 1980, de escolher entre ideologias (democrática ou autoritária; socialista ou capitalista, etc.); nem de alinhar-se, como nos anos 1990, a identidades partidárias (o PT, o PSDB); ou simplesmente seguir, como de hábito, uma liderança carismática (Maluf, Brizola, etc.). Trata-se de saber o que o prefeito pode e deve fazer na prática, e com o orçamento disponível, pelo meu bairro, pelo meu posto de saúde, pelo transporte que me afeta, etc. Nesse contexto, fica muito reduzida a influência do presidente da República, por maravilhoso que ele seja.

A outra forma de transferência de capital político pode ser indireta. Em parte, ainda que em pequena parte, o sucesso de Beto Richa (77% do eleitorado!) pode ser atribuído à habilidosa reconstrução da figura política do pai. O sobrenome importa aqui menos pelos feitos atribuídos a José Richa e mais pelas idéias que ele resgata (ou inventa). Como político profissional, o filho procurou durante a campanha neutralizar a imagem de técnico em nome da imagem de ético.

Por fim, a questão não é apenas se um político pode transferir votos a outro, mas se ele deve, ou mais exatamente: se ele deseja. Roberto Requião, governador bem avaliado e, como Lula, uma liderança altamente personalista, tem barrado sistematicamente o surgimento de novas lideranças, de sucessores, até mesmo de continuadores. Uma evidência, ainda que paradoxal, da força política do governador junto ao eleitorado e da natureza da sua estratégia, onde o que menos conta é a transferência de capital político, foi a imposição, ao PMDB, de um candidato fraco, desconhecido e recém-chegado: o ex-reitor da UFPR Carlos Moreira. Este fez menos de 2% dos votos em Curitiba. Com esse desempenho, não seria eleito sequer para deputado estadual.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Black Monday

Após a realização do primeiro turno das eleições municipais, o desdobramento da crise financeira deve passar para o primeiro plano da conjuntura política nacional, e, sobretudo, internacional. Na última segunda-feira (06/10) a primeira onda da crise sacudiu os negócios da BOVESPA – a queda foi tão brutal que os negócios foram interrompidos automaticamente, passados 20 minutos da abertura do pregão. Um dia antes, no domingo o Governo alemão costurava o aporte de recursos para a Hipo Real Estate, uma das principais empresas hipotecárias da Alemanha. O aporte foi inútil, pois nessa segunda feira as ações da HRE se desvalorizaram na ordem de 35%.

A eclosão da crise na Europa não poderia ocorrer de forma mais dramática, pois quando se esperavam ações de defesa orquestradas e concertadas entre os diferentes governos da zona do Euro, o Governo alemão, um dos mais disciplinados seguidores da ortodoxia neoliberal, propõe uma solução unilateral para os sintomas domésticos de uma crise cada vez mais internacionalizada. Mesmo na França, terra infértil para os Bancos de Investimento, o desempenho dos mercados financeiros foi pífio: a Bolsa de Paris registrou uma queda de 9,04% no que já é considerada a mais recente Black Monday.

A crise pela qual passa o capitalismo mundial começou no empréstimo de recursos para famílias pobres financiarem suas casas. É irônico que tais empréstimos possam ser vendidos e comprados como se fosse um ativo qualquer, um carro, um tratamento de canal, enfim, um bem como qualquer outro. Mais engraçado ainda é que os negócios envolvendo esses ativos são tão rentáveis apenas porque o objeto das operações é considerado de alto risco – seguindo a lei régia de mercados desregulados, as operações devem ser tão mais rentáveis quanto maior é o seu risco, a fim de premiar o perigo que o operador se dispõe a correr. Ora, não se pode conter as gargalhadas quando vislumbramos os proprietários desses ativos se dando conta de que se as famílias pobres não pagarem as suas hipotecas, os seus valiosos ativos não significam absolutamente nada.

O óbvio não é apenas engraçado. Ele é sarcástico. Os clientes subprime não pagaram suas hipotecas, foram expulsos de suas casas, e ainda estão pagando a conta do almoço, uma vez que é o erário norte-americano que vai comprar os ativos podres – o custo do pacote recentemente aprovado pelo Congresso daquele pobre país é de cinco guerras do Iraque.

Porque os ativos podres são tão indigestos? Eles padecem de insolvência, ou seja, os pobres ficam sem casa e os proprietários das dívidas, que pagaram tão caro por papéis avaliados com alto risco não podem pagar suas contas, já que sua principal riqueza (os títulos com as hipotecas dos pobres) também não vale mais nada. Conceitualmente, insolvência é uma situação onde o valor dos ativos é menor que os passivos, quais sejam, as dívidas. Ah, claro, não foi mencionado ainda que o dinheiro com o qual se adquiriu os papéis de alto risco era emprestado – THIS IS AMERICA.

Mercados financeiros não criam riqueza, pelo contrário, eles operam num ambiente de soma zero, no qual o que uns ganham correspondem ao que outros perdem. Assim, em um hipotético capitalismo regulado, orientado para a produção e consumo, com condições socioeconômicas favoráveis à reprodução regular da força de trabalho, o mercado financeiro é apenas mais uma alternativa às empresas para a captação de recursos para o investimento. Ao abrir o capital da empresa, sua propriedade é dividida num sem número de títulos – as ações – que são negociadas nas bolsas de valores, mas a maior parte de seu ativo tem uma existência concreta e independente do jogo de compra e venda dos papéis na bolsa de valores. Se os ganhos superarem as perdas no jogo de apostas da bolsa de valores a empresa tem uma fonte a mais para o financiamento de pesquisa e desenvolvimento, ampliação e modernização do parque produtivo, contratação de mão-de-obra etc.

Dito isto e isto posto, pergunta-se: mas como as irreverências do mercado financeiro atingem a vida dos bípedes normais, alheios às traquinagens de derivativos financeiros e hedge funds pelo globo afora? Bom, essa é uma longa historia, mas uma hipótese a ser verificada no médio prazo defende que o seu começo é o aumento dos juros norte-americanos em seis de outubro de 1979 pelo então diretor do FED, o democrata Paul Volcker, e vai até o controle das duas principais hipotecarias daquele pobre país, Fannie Mae e Freedie Mac, pelo governo republicano G. Walker Bush, em sete de setembro de 2008. Ora, o processo compreendido entre esses dois episódios tem nome e endereço, chama-se neoliberalismo e se desenvolveu nos aparelhos econômicos dos Estados Capitalistas nos países do “norte”.

A sub-forma “capitalismo neoliberal” de organizar os negócios nas sociedades capitalistas prioriza a remuneração do capital financeiro à reprodução ampliada do modo capitalista de produção em geral. Uma série de inovações tecnológicas e comunicacionais, além de um ambiente regulatório francamente liberalizado permitiram aos bancos de investimento – eles mesmos uma dessas novidades – realizar operações com altíssimo grau de alavancagem, o que, grosso modo, redunda em auferimento de taxas de lucros exorbitantes face ao capital investido, com transferência dos riscos para terceiros. A crise dos subprime era a quinta-essência da pulverização dos riscos. É também a maior crise já vivida pelo capitalismo desde os anos 1930, porque todo o sistema de crédito americano estava atrelado, em maior ou menor grau, às operações com os títulos da dívida hipotecaria.

A tensão nos mercados financeiros das últimas semanas é resultado de uma crise de confiança: todo agente capitalizado retira seus ativos da “praça”, e passa atuar segundo estratégias extremamente defensivas. Num cenário de incerteza e desconfiança, as empresas convencionais encontram dificuldades para rolar suas dívidas, e, claro, realizar novos investimentos. Como destacara Marx, o capital tem aversão à ausência de lucro; sem investimento, toda a atividade capitalista é inibida.

Se nos países do “norte” a dificuldade de encontrar linhas de crédito para financiar a produção e consumo coloca suas pobres economias em trajetórias recessivas, imagine-se o que essa escassez provocaria nos países do “sul”.

Observe-se que o Brasil – enquanto país inserido numa economia globalizada – terá de socorrer a jóia da coroa, qual seja, os setores exportadores que certamente encontrarão dificuldades nas linhas de crédito de curto e médio prazo, além é claro do atento monitoramento por parte das autoridades monetárias à flutuação do valor da moeda brasileira – o que não deve ser uma inquietação pelo momento, já que o sólido compromisso do Governo Lula com a estabilidade monetária supõe eficientes instrumentos de ajuste cambial.

O debate a respeito da posição do BACEN e demais autoridades monetárias parece se polarizar em torno de duas posições contraditórias, porém não antagônicas:

A. O governo brasileiro reforça as linhas de crédito para socorrer o setor exportador e aperta o arrocho fiscal, tendo em vista reforçar as reservas para um recrudescimento no cenário externo.

B. O governo socorre as empresas com dificuldades com o caixa realizado após anos de política monetária restritiva, mas aposta no desenvolvimento do expressivo mercado interno para responder aos desafios do médio prazo. Uma política coordenada com outras “potências emergentes” nesse caso não seria descartável.