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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Como republicanos e democratas votam no governo Obama

[Texas Democrats. May 1952.
Robert W Kelley. Life]


Celso Roma*

Valor Econômico - 27/03/09


Sempre se alegou que os partidos Democrata e Republicano dos Estados Unidos são pragmáticos e indisciplinados quando comparados com seus congêneres europeus; no entanto, essa suposição reforça um conceito simplista dos partidos americanos. Ao observarmos o comportamento dos deputados e dos senadores nas votações do Congresso, podemos encontrar fortes evidências da ideologia e unidade dos partidos. Não obstante as circunstâncias em que os congressistas se encontram, devido à crise econômica pela qual o país atravessa, a maioria deles continua votando de acordo com a filiação partidária.

Os elementos que permitem avaliar o desempenho dos partidos nesse quesito são oriundos das votações nominais, ou seja, daquelas com registro do voto dos parlamentares, realizadas no interior do plenário da Câmara dos Representantes e do Senado, de 06 de janeiro, quando se iniciou a 1ª Sessão do 111º Congresso dos EUA, a 13 de fevereiro.

Em primeiro lugar, os partidos quase sempre divergem entre si quando se reúnem para deliberar nas duas Casas Legislativas. Na Câmara, isto ocorreu em 43 das 69 votações. No Senado, os partidos se polarizam de um modo mais intenso. Eles discreparam em 58 das 64 votações, inclusive a que ratificou a indicação de Timothy F. Geithner para Secretário do Tesouro. Republicanos e democratas emitem votos diferentes sobretudo quando estão em pauta a agenda econômica e as regras que regulam o trabalho legislativo.

A razão por que os partidos estão discordando é que os problemas contemporâneos da economia envolvem suas crenças elementares, forjadas na década de 1930, quando se consolidam os pensamentos de matiz liberal e conservador, na acepção americana. Em certo sentido, o debate atual sobre o papel do Estado na economia alude ao desafio e às soluções apresentadas pelo presidente republicano Hebert Hoover (1929-1933) e o seu sucessor o democrata Franklin D. Roosevelt nos dois primeiros mandatos (1933-1941).

Assim como eles fizeram 80 anos atrás, diante do contexto semelhante ao atual, caracterizado pela recessão e a tomada de medidas intervencionistas por parte do Estado, democratas e republicanos marcam suas respectivas posições: a favor ou contra o controle das operações do mercado financeiro; a favor ou contra a concessão de subsídios para o setor produtivo; a favor ou contra o protecionismo; a favor ou contra o aumento dos gastos públicos. As ideologias dos partidos, interpretadas como meras abstrações, representam, em termos concretos, os interesses de seus eleitores em torno desses temas.

Há excepcionalmente consenso entre os congressistas de ambos os partidos. No período analisado, os deputados em conjunto expressaram concordância em 26 votações, por assim dizer, de pouca importância para a política, como, por exemplo, honrarias e datas comemorativas. Os senadores estiveram de acordo em somente seis votações, ainda assim: três delas se enquadram na tradição de eles confirmarem os indicados pelo presidente da República para ocuparem cargos no governo ou em agências, no caso, Hillary Rodham Clinton como Secretária de Estado, Daniel K. Tarullo como um dos conselheiros do Banco Central americano (Federal Reserve System) e William J. Lynn III como vice-secretário de Defesa; duas visam garantir a competitividade como critério para definir os contratos e convênios a serem estabelecidos com o governo, expressando um valor universal entre os políticos americanos; uma se refere ao envio de recursos financeiros para ajudar os Estados onde o nível de escolaridade das crianças está abaixo da média nacional.

Além de terem bases programáticas, os partidos reúnem quadro de parlamentares que se comportam de forma coesa. Isto pode ser atestado pelo índice de Rice, uma medida utilizada para aferir o grau de semelhança dos votos listados por um grupo, cujos valores variam de 0 (quando o partido está dividido ao meio) a 100 pontos (quando o partido está perfeitamente unido). Do cálculo desse índice foram excluídas as faltas e as abstenções, ocorrências raras -
convém ressaltar - no Legislativo americano. Em média, oito dos 435 deputados e dois dos 100 senadores faltam ou se abstêm das votações polêmicas.

Os congressistas do Partido Democrata tendem a ser mais disciplinados do que os do Partido Republicano. Os democratas alcançaram taxas médias de unidade na casa dos 90 pontos, tanto na Câmara como no Senado. Em apenas três das 101 votações polêmicas, eles obtiveram escores menores do que 50. Do lado republicano, os números estão em um patamar inferior: os deputados atingiram escore médio de 86 pontos e os senadores, de 75. A pontuação dos republicanos ficou abaixo de 50 em oito votações, contra três dos rivais. Os democratas, cotejados com os republicanos, destacam-se também por votar de maneira mais estável, conforme sugerem os valores do coeficiente de variação. Em outras palavras, a conduta da bancada democrata varia menos de uma votação para outra.

Diante desse cenário, o presidente Barack Obama está depositando na disciplina dos congressistas democratas a esperança de aprovar seus próximos projetos em âmbito parlamentar. Ao cabo de muito esforço e de concessões aos adversários, ele pode conseguir - e conseguiu no mês passado - o apoio de uma parcela diminuta dos republicanos, um desafio que se revelou mais difícil na Câmara do que no Senado.

Os partidos Republicano e Democrata têm ideologia e unidade interna, atributos que podem ser observados na atuação dos congressistas. Acordos bipartidários e atos de indisciplina constituem exceções, e não a regra da produção legislativa. As características que estruturam o funcionamento do Congresso dos EUA há mais de um século também se manifestam no início do governo Barack Obama.

*Celso Roma é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP).

quinta-feira, 5 de março de 2009

Conservadores e Liberais nas eleições dos EUA

[Two men reading newspapers in the corridor
at Republicans caucus. Washington, DC, 1952.
Hank Walker. Life]


Publicado no Valor Econômico de 05-12-2008.

Por Celso Roma*

FATORES DO VOTO PARA PRESIDENTE NOS EUA
Ideologia é fator que permite distinguir mais claramente os eleitores


A eleição deste ano inovou a história política dos Estados Unidos. Pela primeira vez, um afro-descendente é eleito presidente da República, acontecimento extraordinário para um país que antes da aprovação, em 1965, da Lei do Direito ao Voto, restringia a participação dessa minoria no processo eleitoral. A posse do democrata Barack Obama encerrará, ao mesmo tempo, oito anos do Partido Republicano à frente da Casa Branca. George W. Bush teve a legitimidade questionada desde o imbróglio na eleição de 2000 e, durante a sua administração, tornou-se impopular em conseqüência da tomada de medidas em assuntos domésticos e exteriores que contrariaram a opinião pública. A rejeição ao desempenho de Bush, somada ao apoio da imprensa à candidatura do partido rival e ao fato de que Obama estava mais bem avaliado nas enquetes sobre as questões chave da agenda eleitoral — economia, imposto, energia e sistema de saúde —, ensejava uma vitória esmagadora do democrata.

Contudo, pela contagem dos votos, Barack Obama obteve 52,7% da preferência dos eleitores; John McCain, 46%; e os demais candidatos juntos, entre eles Ralph Nader e Bob Barr, 1,3%. A diferença de votos entre os principais presidenciáveis foi de 6,7 pontos percentuais, ou seja, cerca de 8 milhões e meio num total de 125 milhões. Por que ela foi pouco expressiva em termos numéricos, se a circunstância estava tão favorável ao democrata?

Um exame do perfil dos eleitores dos então candidatos revela que a clivagem partidária prevaleceu sobre a conjuntura. Nesta eleição, assim como nas anteriores, os votantes fizeram escolhas condicionadas por seus atributos demográficos, sociais e políticos, e produzindo o padrão historicamente consolidado. Os dados apresentados na tabela abaixo sugerem isto.

[clique na imagem para ampliar]

O sistema de crença dos eleitores influenciou a direção desse sufrágio. Dos que se classificam democrata liberal, situando-se no quadrante à esquerda no arco político, 96% disseram votar Obama. Quanto aos eleitores que se consideram republicanos conservadores, posicionando-se no setor à direita nesse mapeamento, 92% afirmaram votar McCain. Os independentes, por seu turno, dividiram-se entre ambos os candidatos (27% contra 33%). Ideologia é o fator que permite distinguir mais claramente os eleitores de Obama e os de McCain.

A religiosidade, que de certa forma está vinculada a determinadas posições políticas, refletiu-se na preferência dos eleitores. Por exemplo, entre os brancos não-hispânicos, o democrata foi escolhido por aqueles que nunca ou raramente vão à igreja. O republicano contou o apoio dos religiosos, sobretudo dos que freqüentam um templo todas as semanas.

Os eleitores votaram de acordo também com suas características populacionais. Dentre elas, a etnia se mostrou a mais importante. Os negros (92%) e os hispânicos (74%) tenderam a votar Obama. McCain levou vantagem entre os brancos (50%). Cabe ressaltar, porém, que 43% dos eleitores dessa etnia deram voto a Obama. Esse apoio colaborou para o sucesso do democrata, visto que os brancos não-hispânicos constituem a maioria do eleitorado. A estrutura étnica da população, que vem se alterando ao longo do tempo, poderá favorecer ainda mais o Partido Democrata, considerado como a primeira opção de voto dos afros e latinos.

Apesar de serem fatores menos importantes, a idade, o gênero e o nível de escolaridade dos eleitores contribuíram em parte para o arranjo dos votos. Dos eleitores que tinham entre 18 e 29 anos, Obama conseguiu quase o dobro da preferência obtida por McCain (63% contra 33%). O republicano se saiu melhor na faixa etária de 65 anos ou mais. Nos demais estratos, a diferença a favor do democrata foi de pelo menos 10 pontos percentuais. As eleitoras preferiram Obama (55%) a McCain (38%). O eleitorado masculino se dividiu ao meio. Entre os eleitores que possuem pós-graduação completa ou incompleta, o democrata obteve ampla vantagem sobre o seu oponente (61% a 34%).

Comparando este pleito com o anterior, nota-se que os eleitores circunscritos às regiões do país se comportaram de modo consistente. McCain se destacou nos Estados pró-republicanos onde George W. Bush tinha derrotado o seu adversário em 2004 por seis ou mais pontos de diferença. Da mesma forma, Obama se consagrou nos Estados pró-democratas onde John Kerry ganhara de seu concorrente quatro anos antes. O candidato republicano se sobressaiu no Sul e no Centro-Oeste do território. O democrata concentrou votos nas costas Oeste e Leste, bem como venceu a disputa nos estados indefinidos, o que lhe projetou 365 grandes eleitores para o Colégio Eleitoral, número acima do exigido para ser empossado (270).

Em poucas palavras, os votos para presidente estiveram associados ao partido, ideologia e etnia dos eleitores. Barack Obama não foi eleito por um consenso suprapartidário. As linhas que delineiam o partidarismo nos Estados Unidos se fizeram presente nessa eleição e já orientam a expectativa dos eleitores quanto ao desempenho do futuro governo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup, de 9 a 11 de novembro, após a divulgação do resultado das urnas, 95% dos afiliados democratas confiam em que Obama será um bom presidente, enquanto 65% os republicanos desconfiam disto.

*Celso Roma , doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em estudos partidários e eleitorais.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Imagem: posse de Obama

Para quem gosta dos detalhes da prática política o link abaixo traz uma foto interessante da posse de Barack Obama.

Feita pelo serviço secreto americano, a foto é resultado de um trabalho se sobreposição e agrupamento de 220 outras fotos digitais. Isso permite a quem está vendo a foto identificar qualquer rosto, cada detalhe ou ainda a posição de cada pessoa que estava na posse de Obama.

Para ver a foto basta clicar aqui, para detalhes usar as funções + e -.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ensinamentos de 2008

André Ziegmann
1º) Os mercados não se auto regulam. Não devemos, contudo, satanizar os arautos do livre mercado, nem seu principal ideólogo, Milton Friedman. Pois seria o mesmo oportunismo daqueles que execraram todas as esquerdas, Marx e Keynes e qualquer tipo de regulação ou intervenção estatal. Mas a hora é de por neoliberalismo na geladeira.

2º) Presidente popular não transfere voto para candidato a prefeito. Ficou provado, o eleitor segue a dinâmica eleitoral. Convidado a discutir os problemas do município, o eleitor tendeu a reconduzir prefeitos bem avaliados ou a eleger candidatos à sucessão de gestores bem vistos pela população.

3º) Mas se o eleitor vota em governantes bem avaliados ou candidatos de governantes bem avaliados, o que fará quando tiver de debater o atual governo federal, dono de grande aprovação e com gordura de sobra para queimar diante da crise. Isso passou despercebido, deliberadamente ou não, pela grande imprensa nacional.

4º) O desempenho de Aécio não é ruim! Segundo a corretíssima avaliação do deputado Rodrigo de Castro, PSDB-MG, os principais concorrentes, Serra, Ciro e Heloísa Helena, já participaram de campanhas nacionais, levando seus nomes à grande exposição em todo território brasileiro. Dilma é ligada ao presidente Lula, e sua exposição, por razões de ofício, é em escala federal. Aécio tem bom desempenho, sem ter tido nenhuma das oportunidades citadas acima.

5º) Quarenta anos depois do AI-5, completamos duas décadas de regime constitucional democrático ininterrupto. Recorde em nossa autoritária história. De sobra, 2008 foi o ano em que se consolidaram as chances de termos a primeira mulher eleita para a presidência da República. Mulher que foi, nos seus próprios dizeres, barbaramente torturada, graças à anomalia constitucional imposta pelo AI-5. As coisas mudam.

6º) O PSDB precisa rever algumas de suas idéias. O neoliberalismo, defendido e praticado em todos os seus governos, está em crise, e não parece ser a melhor resposta para os nossos desafios de desenvolvimento. Entretanto, ao escutar algumas declarações de líderes tucanos, defendendo corte de gastos em meio a óbvia necessidade de aumentar os investimentos públicos, parece pouco provável uma reforma nas idéias do partido.

7º) Fiquei muito feliz com Obama. Pela mudança, pela luta dos negros, enfim, pelo simbolismo de sua vitória. Mas, o mais importante não é como você entra, mas sim como você sai de um governo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Republicanos e Democratas: o liberalismo prossegue.

As postagens aqui neste blog sobre as eleições americanas foram um pequeno avanço no que o jornalismo brasileiro fez. O colega Luiz Domingos lembrou bem nosso querido apresentador do Jornal da Globo, que, de fato, cumpriu o papel de sala de visita de Roberto Marinho, quando o assunto é política.

Todos os jornais, revistas, noticiários e pseudo-intelectuais vangloriaram Obama. Seja por ser negro, seja por ter origem muçulmana (apesar de o próprio não o ser) ou seja pelo Yes We Can!, o mundo deu apoio ao democrata estadunidense. João Quartim lembrou bem que a coisa não é bem assim. Outrossim, não temos tantos motivos quanto pensamos para comemorar. Desde o embargo ao etanol brasileiro até a página da história virada com a eleição de um negro para a Casa Branca, parece que os brasileiros de todas as classes esquecem a essência da política.

Não vou ficar digredindo sobre a cena política, mas basta saber dois pontos para que repensemos a eleição de Obama como a salvação do mundo.

O primeiro refere-se exatamente à percepção que se criou sobre um negro na presidência norte-americana. Por mais que Obama seja negro e se orgulhe disso, ele estudou ciência política na Universidade de Columbia e depois graduou-se em direito na Universidade de Harvard. Além disso foi o primeiro presidente negro da Harvard Law Review . Ou seja, mesmo atuando nos movimentos civis na década de 90, Obama não teve assim uma vida muito precária. Ele faz parte de uma nova classe média americana, com pais altamente intelectualizados (mãe doutora em antropologia e pai economista) e frenquentador das melhores universidades do mundo, o que denota uma diferença grande entre o cidadão médio americano e Barack Obama.

O segundo ponto é o discurso sustentado por toda a campanha democrata. Change, we can belive e Yes We Can!, marcam um acento liberal, focado no self-made-man. O liberalismo americano tem tomado conta da ideologia globalizada faz tempo, mas a caracterização do homem que vence na vida por conta de um sonho, com certeza não se aplica a mais da metade do planeta. Para isso não precisamos ir muito longe, basta pensar no continente africano como um todo. Não é a falta de vontade ou a malemolência individual, os problemas são estruturais. E parece que, nesse ponto, democratas e republicanos não diferem tanto assim. O mais realista coloca os dois partidos como apaixonados pelos EUA e não tão afáveis assim com o resto do mundo - apesar das diferenças políticas entre os dois.

Update:

Secretário de Defesa de Bush deve continuar no cargo

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u465118.shtml

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama wins

Os portais de internet informam que John McCain admite derrota e parabeniza Barak Obama. O Jornal da Globo dá um “plantão” informando o mesmo. Willian Waak ‘analisa’ o clamor popular nas ruas: o povo já está comemorando um momento histórico. De fato, trata-se de algo com um significado muito importante para o mundo inteiro: um negro eleito (com sobrenome e parentesco muçulmanos) presidente dos EUA é algo importante. Aliás, quem conhece os americanos de perto dizem que a escolha é mesmo assustadora, do ponto de vista da ruptura com os estigmas de ‘homem’, ‘branco’, ‘nascido em berço de ouro’, etc.


Agora irá começar a festa da imprensa. Jornalistas farão matérias empolgantes sobre a “caminhada” de Obama rumo à Casa Branca. Cientistas Políticos especularão sobre a relação com o Congresso e sobre a formação do ministério. Economistas preverão o final do mundo e o seu recomeço sob a tutela do democrata, estilistas observarão a roupa da nova primeira-dama, Michelle Obama... Haja paciência.


E é bom ter calma, pois, como disse Arnaldo Jabor (em rara demonstração de lucidez), os democratas são “meio vacilões”. Antes que o clamor acabe, vale a pena ler um texto menos emocionado sobre a disputa que se encerra:


Big Smile and Big Stick

Por João Quartim de Moraes

“Nem todos os sorrisos, nem todos os porretes, nem todos os políticos são iguais [...] Seria Barak Obama muito diferente? Uma larga experiência histórica mostra que preferir um candidato só porque ele é do partido democrata pode ter algum sentido no que concerne a certos temas sociais e culturais no interior dos Estados Unidos, mas não em relação às questões que afetam toda a humanidade: a guerra, a voracidade dos trustes, a hegemonia do dólar, o “fascismo exterior” etc.

Donde a dúvida: que conteúdo objetivo Obama pretende conferir, no trato dessas questões decisivas, à palavra “mudar”, chave de sua campanha?”


Texto completo aqui.