Este livro é resultado da associação entre o Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, da Universidade Federal do Paraná, e o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Os dez estudos publicados aqui sobre a política regional se beneficiaram do imprescindível trabalho do TRE para a preservação, sistematização e divulgação de dados e informações sobre partidos e eleições no estado. Mais informações aqui.
O livro está disponível para download na página do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, aqui.
Filmes que tratam de política e de políticos podem ajudar você, que está sem tempo, a entender melhor alguns fatos históricos sem precisar ler enormes livros (mas esses são sempre melhores). Abaixo uma lista interessante sobre algumas películas muito boas.
Gandhi, história do líder indiado que libertou um país de 300 milhões de pessoas (na época) sem dar um tiro. Atuação sensacional de Ben Kingsley. Se eu não me engano a película ganhou 8 oscars.
O último imperador, história do último imperador chinês, que perdeu o poder político com o advento da república em 1911, mas manteve seus privilégios. Esses seriam perdidos em meados dos anos 20, quando o último imperador foi expulso do país. O filme é de Bernardo Bertolucci, e também ganhou uma carroça de oscars, nove se não me falha a memória.
Lawrence da Arábia, conta a história do oficial inglês que participou de modo decisivo no processo de unificação das tribos da península arábica. Unidas, elas acabaram com o jugo do império turco-otomano, e fundaram a atual Arábia Saudita. Não me lembro quem dirigiu o filme, mas o elenco é de peso, incluindo Omar Sharif, Peter O’Toole e Anthony Queen. É tido por muitos como o melhor filme de todos os tempos. Ganhou 7 oscars.
Elizabeth, conta a história da “rainha virgem” e sua luta para manter o poder na Inglaterra. Geofrey Rush, no papel do Lord Walsingham, o principal articulador da rainha e tido como inventor da espionagem, vai muito bem. Filmaço. Ganhou 2 oscars.
Hoffa, história do maior líder trabalhista americano. Foi presidente do Sindicato dos Caminhoneiros e transformou essa entidade numa máquina sindical. Hoffa foi morto, mas seu corpo nunca foi achado. Direção de Danny De Vito com Jack Nicholson como personagem principal.
JFK, trata da história do promotor que reabriu depois de três anos o processo de investigação sobre o assassinato de John Kennedy. Foi essa investigação que apontou a existência de uma conspiração, formada no interior da estrutura de inteligência americana, para matar o ex-presidente.
Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, os bastidores da Casa Branca quando a URSS colocou mísseis nucleares em Cuba, ou seja à 150 Km dos EUA.
Nixon, filme que conta a história do presidente americano Richard Nixon, que renunciou diante do maior escândalo de corrupção da história americana, o Watergate. Com Anthony Hopkins. O filme é excelente, não sei como não é mais conhecido.
Todos os Homens do Presidente, trata da história dos jornalistas que descobririam o esquema de corrupção formado no governo Nixon para sabotar o Partido Democrata (Nixon era Republicano). Baita filme. Com Dustin Hoffman e Robert Redford.
Warm Springs, esse filme é da HBO. Mostra a luta do presidente Franklin Delano Roosevelt contra poliomielite, que ele veio a contrair com 39 anos. Não mostra a passagem dele pela presidência. Mesmo assim é muito bom.
Os Bastidores da Guerra, também é da HBO. Conta a história do presidente Lindon Johnson. Ele era vice de Kennedy e venceu de forma arrasadora as eleições de 64. O filme mostra desde sua vitória até o dia em que anunciou não ser candidato às prévias - e assim a reeleição - do Partido Democrata.
O Bom Pastor, filme de Robert de Niro. Conta a história do surgimento da CIA. Mostra a agência como ela é, um braço da política externa americana. Também deixa claro que a batalha principal da Guerra Fria deu-se no campo da inteligência. É o melhor filme de espionagem que já vi.
Napoleão, dois filmes que contam a história de Bonaparte. Muitos acharão que é uma visão francesa do estadista, porém mostra os fatos principais que o transformaram num mito. O dois filmes são “corridos” pois, convenhamos, a história de Bonaparte é muito rica. No elenco estão Gerard Depardieu, Cristian Clavier, John Malkovich e Isabela Rossellini.
A queda, conta os últimos dias de Hitler no poder. O ator que interpretou o ditador, que eu não sei o nome, teve uma atuação impecável.
É evidente que muitos filmes tratam de política, direta ou indiretamente. Mas creio que esses filmes, em maior ou menor medida, giram em torno de questões políticas, não enveredando para tramas de ação ou drama. Mas essa é uma opinião de quem não entende absolutamente nada de cinema.
"Pode ser só coincidência, mas é no mínimo curioso que pela terceira vez os norte-americanos tenham colocado na Casa Branca um presidente democrata depois de uma onda de liberalismo econômico que resultou em crise. Depois do crash da bolsa de 1929, Roosevelt foi convocado e estabeleceu o New Deal. Durante décadas o governo decidiu intervir na economia para evitar maiores problemas – e deu certo. Até que nos anos 1980 Reagan entrou na onda “neo-liberal”. Em 1987, nova crise na bolsa. Em 1992, os EUA elegeram Clinton. Agora, mais uma crise e mais um democrata: Barack Obama. Por quanto tempo os liberais hibernarão agora?"
Simon Schwartzman é um dos mais importantes cientistas sociais brasileiros em atuação.Em recente artigo, tenta reverter uma espécie de má vontade da opinião pública para uma questão sempre incômoda e confusa: a ética na política. Sua conceituação e explicação são úteis para retirar algumas dessas mazelas que entornam o assunto.
Contudo, a questão que lhe move é menos filosófica e mais conjuntural:
“o que havia de errado na UDN não era sua preocupação com a ética, mas sua incapacidade de entender e formular um projeto de organização da sociedade e do próprio sistema político que incentivasse os valores éticos, e não os comportamentos oportunistas e predatórios que caracterizam muito de nossa vida pública. Não é que, se ela tivesse conseguido formular isto, ela conseguiria se impor junto ao eleitorado, da mesma maneira que o candidato da oposição dificilmente ganharia as últimas eleições, por melhor que tivesse sido seu programa de reformas institucionais. Mas, pelo menos, o país poderia dispor de uma visão alternativa de organização social e funcionamento das instituições, e não ficaria perdido, como me parece que está, entre a “política de resultados,” por um lado, e a indignação moral e o ressentimento de outro”.[texto completo aqui]
São alusões ao PT, ao “petismo”, suas vanglórias e aos opositores destes. O conselho do professor Schwartzman, entretanto, esquece de algo importante da política brasileira recente:
A proposta que oferece à oposição (ou seja, a Geraldo Alckmin em 2006; ou seja, ao PSDB de uma forma geral) de “formular um projeto de organização da sociedade e do próprio sistema político que incentivasse os valores éticos” não é de simples assimilação por esta agremiação. Foi um dos baluartes do PT em sua luta parlamentar contra o FHC (e contra a política “tradicional” praticada no país) e seria facilmente revertida no campo eleitoral. Essa proposta, para qualquer partido, pode ser um tiro no próprio pé. Pois, no Brasil de hoje, “atire a primeira pedra” quem tem o passado ileso de corrupção. A “agenda” da ética é louvável e o professor Schwartzman dá muitas razões para isso. O problema está em começá-la, do zero, na atual conjuntura política do país: pouco tempo se passou sem que ambos os partidos (PSDB e PT) protagonizassem o manejo obscuro das instituições em seus governos.
Daí a dificuldade do PSDB em capitanear o a “indignação moral e o ressentimento” presentes em parcelas da população sem uma dose de cinismo.
Recentemente aprovado pela Capes, o Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (strictu sensu) abre as inscrições para seleção de ingressantes em 2009.
Inscrições para o processo de seleção da primeira turma do mestrado em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão abertas desde o dia 3 de novembro e seguem até 17 de dezembro de 2008. Podem se candidatar profissionais graduados em diversas áreas das Ciências Sociais e Ciências Humanas. O programa de pós-graduação possui seis linhas de pesquisa: Instituições Políticas e Elites; Relações entre Executivo e Legislativo, Processo Decisório e Políticas Governamentais; Partidos e Eleições; Comunicação Política e Novas Mídias; Política Externa do Brasil e Organizações Internacionais.
O processo de seleção dos candidatos é composto por quatro etapas. A primeira é a análise do projeto de dissertação, que deve ser protocolado até 17 de dezembro ou via correio até 15 de dezembro. Os autores dos projetos selecionados passarão, ainda, por uma prova escrita, análise de currículo e entrevista, que acontecerão em fevereiro de 2009. Ao todo, são ofertadas até 20 vagas para esta primeira turma.
Os argumentos de críticos e defensores de políticas afirmativas convergem em um ponto: para ambos, haveria uma oposição entre a instituição da meritocracia como regra para recrutamento acadêmico e a implantação de mecanismos compensatórios, sociais ou raciais. Adversários das cotas, retomando uma espécie de retórica da ameaça (Hirschman, 1992) afirmam que sua adoção eliminaria o mérito e o conhecimento prévio, premiando os menos capazes, com efeitos agregados sob a forma de mediocrização universitária. Defensores das cotas subestimam o significado racionalizador de instituições meritocráticas, resumindo a discussão com o argumento de que fins socialmente justos justificam a adoção dos meios necessários para atingi-los.
O equívoco de ambos consiste em não perceber a coerência existente entre meritocracia e a adoção de uma regra de cotas como procedimento para a ocupação de vagas universitárias. Em suas origens, meritocracia surge como alternativa ao status herdado pelo nascimento como critério para ocupação de postos públicos. Trata-se de substituir ascription por achievement, premiando a capacidade individual e não o berço na configuração da hierarquia social. A ironia é que vantagens adscritivas foram capazes de adaptar-se às novas regras impostas pela individualização das sociedades modernas, reconvertendo capital econômico e social familiar, em capital escolar (Bourdieu, 1989, Boltanski, 1982). Investindo, desde o ensino fundamental, na formação escolar de seus herdeiros, famílias bem providas asseguram sua continuidade no interior das instituições universitárias de maior prestígio e qualidade, que oferecem títulos e diplomas mais valorizados no mercado, reproduzindo hierarquias plutocráticas dissimuladas em capacidade intelectual individual.
A conversão de exames vestibulares em simulacros de mérito individual não deve induzir-nos ao desprezo pela relevância de regras meritocráticas, como condição para o estabelecimento de instituições racionais e impessoais. Trata-se de controlar as distorsões provocadas pela origem social, neutralizando o efeito path-dependent berço=diploma=renda.
John Rawls, o maior expoente do liberalismo político do século XX, ao apresentar sua concepção de justiça como eqüidade, ressalta que as desigualdades sociais e econômicas para serem aceitáveis, devem satisfazer duas condições: estar ligadas a posições abertas a todos, segundo condições de igualdade de oportunidades, e, beneficiar aos membros menos favorecidos da sociedade (Rawls, 1971). Quem quer ser liberal, que ao menos seja coerente, e honre o significado desta consigna.
Meritocracia constitui um sistema distributivo, que confere de modo desigual vagas e títulos universitários, premiando a capacidade, responsabilidade e talento individuais. Para que seja justo, é preciso que esteja baseado em uma efetiva igualdade de oportunidades, julgando apenas o esforço e competência individual, e não o sobrenome (o que, parece óbvio, não constitui mérito próprio). Desta forma, instituir um sistema de cotas é a alternativa eficaz e racional para assegurar um indispensável critério meritocrático, como procedimento para o recrutamento aos bancos universitários.
A probabilidade de um branco ingressar na universidade é, no Brasil, 137 vezes superior a de um negro. O percentual de negros com diploma universitário hoje no Brasil equivale ao dos Estados Unidos dos anos 40, quando leis segregacionistas estaduais impediam negros de frequentar, como alunos, universidades para brancos. Equivale ao percentual de negros com diploma na África do Sul, durante o apartheid (PNUD, 2005). Frente a estes números, questionar se existe racismo ou se a implantação de cotas raciais poderiam introduzir o racismo no Brasil, é um modo de tergiversar sobre o problema. Na ausência de oportunidades e de mobilidade social reais, conflitos raciais estão presentes da pior forma possível, traduzidos nos indicadores de violência e criminalidade, enquando nossa classe média vive seu Baile da Ilha Fiscal, falando em harmonia racial e talento individual.
Políticas afirmativas devem oferecer oportunidades de mobilidade social inter-geracional, projetando as condições para a constituição de uma ampla classe média negra, que incremente uma economia de mercado no Brasil. Trata-se de ir além da hipocrisia de falar em cursos técnicos e profissionalizantes para jovens pobres e negros, como se fosse suficiente oferecer a estes a auspiciosa perspectiva de serem, no futuro, balconistas, garçons ou recepcionistas. Teremos harmonia racial quando for corriqueiro consultar-nos com médicos negros, sermos julgados por magistrados negros, dirigidos por executivos negros e ensinados por professores negros. Mas, talvez, seja isso precisamente que amedronta nossa classe média.
Debate em plenário, Assembléia Nacional Constituinte. Congresso Nacional, Brasília, 19/8/1987.
SOBRE
Blog do Grupo de Análise de Conjuntura Política do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira da UFPR, Brasil. Artigos, entrevistas, pesquisas e informações sobre a conjuntura política nacional e estadual. Mais...