terça-feira, 18 de março de 2008

O Véu da Noiva

Em artigo para o site jurídico Última Instância, o articulista Josué Maranhão aponta para a possível fusão, quase que impensável do Partido dos Trabalhadores e do Partido da Social Democracia Brasiliera, casamento esse que pode ser sacramentado nas eleições de 2010.

No meu ver, assim não parece ser o caminho que será tomado no pleito federal. O PT está pendendo muito mais para o lado de uma aliança com o PMDB. Dentro do partido, Jacques Wagner e Dilma Rouseff estão sendo os nomes cogitados e fora dele, o nome de Ciro Gomes vem tomando corpo. Só que uma aliança com Aécio Neves não significa, necessariamente uma fusão entre os dois partidos. O mais provável seria a migração de Aécio Neves para o PMDB, com o apoio de um vice petista, em razão do abandono de bandeiras extremadas. O PSDB está satisfeito com o desempenho de seus pré-candidatos, notadamente, José Serra.

Contudo, ainda que assim fosse, o maior obstáculo à malfadada idéia do articulista é a concepção de Estado de cada partido encerra. Quando observamos os 8 anos de governo de FHC, resta clara a concepção de Estado Mínimo. O PSDB defende a redução do Estado para tratar apenas de determinados assuntos, e isso ficou claro com as privatizações do sistema de Telefonia e da Vale do Rio Doce. Deixou de lado, questões como redução das desigualdades sociais, fome, só para ficar nesses exemplos.

Já o PT, para além do Estado mínimo na economia agiu de forma a intervencionista, criando ou aperfeioçoando uma série de programas federais de reinserção da população mais carente (PROUNI, FIES, implantação de novas Universidades e CEFETs, unificação dos programas sociais no Bolsa Família).

As representações do Leviatã para cada um desses partidos são diferentes: Estado Mínino x Estado "Social". Por conseguinte, os nubentes, no final das contas, acabarão por discordar das esponsais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Partidos afinados, eleitores nem tanto

Na Folha de São Paulo de hoje duas matérias aparentemente não complementares chamam a atenção. A primeira sobre o afastamento dos eleitores frente aos partidos e a aproximação dos primeiros com as "bandeiras", em seguida palavra do ex-presidente tucano FHC clamando a união do PSDB.

Duas interpretações sobre tais matérias vislumbro no momento. Uma de acordo com a queda da popularidade do PT (mesmo com a manutenção da popularidade de Lula) e a desmistificação do Partido dos Trabalhadores, leva-nos a entender que o eleitor está ainda mais confuso quanto ás posições ideológicas de cada partido no Brasil. A segunda interpretação é que as elites políticas estão agindo de acordo com um cálculo estratégico, ou seja, estão tentano puxar mais "brasa pra sua sardinha".

Como isso se explica? De duas formas: o PT além de pulverizar sua inserção no território nacional, perdeu um pouco a característica de partido de esquerda e de setores notoriamente conhecidos (funcionalismo público, professorado, estudantes, trabalhadores urbanos). Assim o partido deixou de abocanhar grande parcela da identificação com o eleitor. Segundo que os partidos começam a notar que o eleitor fiel pode ser uma grande ferramenta, num momento de altos custos (monetários) de campanha e franca escassez de líderes políticos.
O que quero dizer é que a sustentação de um eleitor partidário e menos personalista traz maiores ganhos á longo prazo para os partidos. E, somente num momento de crise de renovação política, é que os quadros partidários resolveram partir para tal estratégia.

A política não é inocente e não acontece ao acaso (mesmo reconhecendo que a divina providência faça parte da arte da política). Os arranjos sugeridos e bradados no momento são resultado de uma conjuntura política que "precisa" de um novo modo de ação. Assim o PT deposita suas forças nas prévias regionais, o PSDB sugere a união e a criação de prévias e, até mesmo o fragmentado histórico PMDB prima pela coesão e pela união.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Quem planta, colhe

Novo decreto regulamenta prerrogativas dos ex-presidentes

Por Sérgio Soares Braga

Surfando na sua popularidade causada pelos altos índices de crescimento do capitalismo brasileiro, pelo eficiente gerenciamento da coalizão de governo e do PAC pela ministra Dilma (muito mais competente que o antipático Zé Dirceu e 40 seus companheiros), e pela inoperância da oposição conservadora em apresentar uma alternativa real de governo, o presidente Lula encontrou uma maneira elegante de desmentir que irá concorrer a um terceiro mandato, como andaram espalhando por aí alguns jornalistas de alcova: expediu um decreto regulamentando algumas mordomias aos ex-presidentes da República, tais como o direito "a quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal (sic); dois veículos oficiais com respectivos motoristas e assessoramento de dois DAS". [clique aqui para ler o decreto]. O decreto regulamenta outro, anteriormente baixado pelo governo Itamar Franco, e não explica nem justifica em seu texto a indispensabilidade de tais mordomias, financiadas com dinheiro do Estado, aos ex-ocupantes da curul presidencial. O decreto passou em brancas nuvens na imprensa e na própria oposição, evidenciando que tais privilégios absurdos já foram naturalizados como "direitos" por importantes segmentos da opinião que se publica.

Positivamente, a oposição conservadora está colhendo os frutos do que plantou. Alardeando por longos anos que Lula traria o "caos" e a crise do capitalismo brasileiro por seu suposto "socialismo", "despreparo" e "falta de escolaridade", é obrigada a testemunhar inerme os altos índices de aprovação do presidente que surfa aparentemente incólume aos ruídos das acusações de tucanos & DEMOS. O que significa que Lula será uma figura importante e influente no próximo pleito presidencial, e não um novo FHC ou um novo Figueiredo.


Sérgio Soares Braga é professor de ciência política da UFPR.

terça-feira, 11 de março de 2008

Eleições 2010 - Partido Republicano Paulista e Partido Republicano Mineiro

As eleições de 2010 já está ganhando os primeiros entornos. Os partidos com maior representatividade no Congresso (PMDB, PT e PSDB) começam a pensar em possíveis candidatos e estratégias para o pleito nacional.

O PSDB, é o partido com mais presidenciáveis: Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. José Serra, atual governador de São Paulo, que detém uma parcela considerável dos filiados, está em grande vantagem entre os concorrentes e com reais possibilidades de ser eleito. Aécio Neves, isolado dentro de seu partido, com apoio apenas de Tasso Jereissati, está tentado uma aliança quase que impossível de ser pensada no plano federal: aliar-se ao Partido dos Trabalhadores, mostrando seu apoio ao canditado petista para a municipalidade de Belo Horizonte. Para ele, ex-emedebista, estaria vislumbrando a volta ao poder no PMDB. Geraldo Alckmin, quase que sem chance, aguarda cair em seu colo o Governo de São Paulo.

O Partido dos Trabalhadores, apresenta dois candidatos prováveis: Jacques Wagner e Dilma Rousseff, ambos insossos, e quase sem chance de ganhar o pleito. A chance do governo, conforme dizem algumas correntes, seria uma aliança. Uma aliança com Aécio Neves dentro do PMDB.

O PMDB por suas características internas, sempre buscando uma unificação mitológica de tempos passados, tem o nome do Ministro da Defesa Nelson Jobim. Contudo, o principal flerte e principal chance do manda brasa é Aécio Neves. O nome do presidente "pé de valsa" mineiro II é o mais viável para o partido, independente de uma possível coligação com o PT.

Vale observar atentamente a movimentação no PSBD paulista e mineiro e PMDB nacional para traçar possíveis cenários presidenciais. Ainda vivemos sob a política do café com leite. Será que a diferença reside nos partidos?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Update - Folha de São Paulo - 10 março 2008


sexta-feira, 7 de março de 2008

América Latina: barril de pólvora ou migalhas da guerra fria?

Será Chávez o novo Fidel? E, com (na onda do Oscar) sangue negro nas mãos? Pelo menos para os Estados Unidos parece que sim. Pouco notei nos principais diários brasileiros a ligação direta entre Colômbia e EUA e suas consequência para o tema do momento.

Está mais do que claro que o presidente venezuelano tem se empenhado em ter as Farc sob sua tutela e ainda posando de humanista. Não que ele não o seja, mas me parece um tanto suspeito a liberação de reféns sequestrados pelas Farc apenas com um telefone amigável do chefe do executivo da Venezuela. Como diria minha avó, tem peixe nesse angu.

De outro lado, a Colômbia que não tem grandes reservas energéticas, nem grande potencial bélico desafia o apoio velado de Caracas ás Farc e á Quito. Tendo acreditar com uma leitura rasa da conjuntura internacional que Uribe não está sozinho nesta.

Desta vez nem conspiração precisamos, os EUA, CIA, FBI, Bush e todos os atores envolvidos em qualquer conspiração que se preze, estão atuando de forma explícita na América Latina. Não resta dúvida que os EUA apoiam a Colômbia justamente contra a Venezuela, que tem um bom diálogo com as Farc.

A rede intrincada de informações que aqui encontramos chega a dar nó no raciocínio lógico. Mas de dividirmos as forças seremos simplistas: o amigo de meu amigo é meu amigo; o amigo de meu inimigo é meu inimigo. O tema é o mesmo de sempre, os EUA continuam em sua cruzada histórica contra o fim do socialismo e seus derivados. O petróleo está no meio. Desta vez sim, mas em Cuba não tínhamos este elemento e as tentativas de matar Castro foram nada menos do que 638 vezes. Ou seja, o amigo de meu amigo nem sempre é meu amigo.

A luta política não está sujeitada simplesmente ao economicismo ou ao instrumentalismo. Valoriza-se a soberania das nações latino-americanas. Talvez Bush tenha se referido a mesma soberania do Afeganistão ou do Iraque. E talvez ele seja mais economicista do que pensamos.

Maquiavél já ensina em 1500: nem sempre a aliança com o mais forte é a mais frutífera. Depois da conquista o forte liquida o fraco. O Brasil parece ter aprendido uma importante lição diplomática e está, como sempre, fazendo o papel conciliatório. E a Colômbia e a Venezuela parecem não ter aprendido muita coisa.

A partir de hoje gravarei todas as minhas ligações telefônicas.